Fala sobre você, Luisa

Gosto de São Paulo com as janelas dos prédios acesas com a luz artificial, as sombras que a lua desenha entre a selva e você na sala de TV fumando o último cigarro do dia. Pensando em sei lá o que. Mesmo que no outro apareça com a promessa de ter lembrado muito dos nossos dias durante a semana, que sente falta de mim por aqui e ontem saiu com uma nova pessoa que eu adoraria conhecer. Vai ligar pro Fabrício e perguntar se ainda te amo.

Gosto de andar na Paulista no fim da tarde quando tenho a chance de encontrar você subindo a avenida, sem lembrar que eu existo e quase sem perceber que interrompe a dilatação do diafragma alheio com esse perfume tão forte.

Gosto de pensar que um dia vou passar o canal e encontrar seu rosto saindo do projetor que espelha para o vidro que enxergo. E um dia vai contar na roda do bar que eu te joguei para dentro daquela escola de teatro, por isso dedica os segundos finais de cada espetáculo para me procurar na platéia. Ansiosa pelo meu rosto naquele escuro.

Mas eu sei que foi uma maneira sútil de se arrepender por ter me pedido pra ficar.

E passei despercebido por lugar nenhum que você nunca existiu.

 

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