São duas da manhã do dia 23 de abril de 2016. É a primeira vez em alguns meses que não sento pra escrever algo. O invisível é muito importante pra quem tem fé. Não sei porquê, mas acho que traumatiza quando você sofre e as pessoas te dizem pra não falar tanto sobre isso; não entendo quem quer me educar e o motivo. Eles não são meus amigos.

Minhas coisas estão dentro de caixas, na sala que tem um tapete no chão. Estou me mudando mais uma vez na vida. Quando eu era criança, acreditava que toda vez que meus pais mudavam de cidade minha vida acontecia lá com eles. Acho que nessa loucura, recalquei toda a fase. Domingo eu vou levar as caixas pra casa deles e fico lá por um tempo. Só saio se for um lugar definitivamente mais meu do que meu quarto de infância, meu jardim de infância, minhas presenças de infância. Sinto que vou devolver a mim o que o mundo, de alguma forma, subtraiu.

Eu gosto da parte de mudar. Eu amo mudar. Mas ainda é difícil fazer novos planos depois de dois mil e quinze.

Não sei direito, mas entendo que é egoísmo meu com o mundo achar que os problemas de lá decidiram minha vida. Mas hoje foi um dia mais decisivo que aquela semana de junho. Muito mais importante que a primeira vez que me machuquei na rua. O invisível é muito importante pra quem tem fé. Bem mais importante que a primeira vez que escolhi, com plena consciência, o mais confortável pra mim.

O invisível é muito importante pra quem tem fé.

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O cara pulando da sacada poderia ser eu. A mulher que se jogou do quarto andar do shopping na semana passada, deveria ter sido eu. Aquele menino que gostava de gravar suas músicas e suicidou no banheiro, ah, eu realmente queria ter sido ele. 
Só que agora não dá mais, deixa o cara se jogar por mim. 
3 de junho de 2015